quarta-feira, 30 de julho de 2008

Super-heróis

Hulk. Confesso desde já que, na minha adolescência, o alter-ego de Bruce Banner nunca fez as minhas delícias. Admirador inveterado do universo da Marvel, com particular incidência nos super-heróis saídos da mente delirante de Stan Lee, sempre guardei a minha afeição para o Wolverine, Capitão América, Homem Aranha e poucos mais.

Nunca fui cativado por monstros, ainda por cima verdes e vestindo apenas roupa interior. Por isso, como declaração para memória futura, estou algo frustrado com a compra de Hulk. E sem qualquer ponta de ironia, que cada vez tenho menos tempo para escrever e escuso de gastar o que tenho em figuras de estilo.

Sendo claramente evidente, mesmo a qualquer leigo, que o plantel do Porto, para a época que se avizinha, necessita de alguns retoques, era consensual que a linha avançada teria que ser reforçada. Dada a carta de alforria a Postiga, com o mal-amado Adriano fora do baralho de opções de Jesualdo e com Renteria a continuar a viver no limbo da promessa eternamente adiada, a responsabilidade pelos golos caiu no colo de 2 argentinos: Lisandro e Farías.

Até hoje. Temos Hulk. Talvez vivendo ainda da expectativa legítima, criada pelo presidente do clube, de uma surpresa, a chegada deste novo reforço constituiu uma espécie de balde de água gelada no anseio crescente por um nome mais mediático.

Dirão os defensores intransigentes de toda e qualquer acção da SAD portista que o brasileiro agora na Invicta é jovem, com enorme margem de progressão e com um currículo onde ressalta a capacidade sobrenatural de empurrar a bola para as redes. Tudo verdade. Lembrar-me-ão ainda de outros exemplos de perfeitos desconhecidos, que chegados ao reino do Dragão rapidamente se fizeram notados, cobiçados e idolatrados. Não contesto esse argumento.

Mas pagar 10 milhões de euros, por 50% do passe de um verdadeiro desconhecido, num mercado em recessão, parece-me francamente um acto de gestão questionável. Quem anda atento às notícias do mercado internacional, não deixa de ser surpreendido pelo preço com que grandes jogadores saem dos seus clubes [Deco e Riise, por exemplo], em transacções de baixo valor, se comparadas com os preços praticados há meses atrás.

Por isso, pergunto: não seria mais apropriado, numa situação destas, ficar com o que se tem, com provas dadas, do que embarcar numa [cara] aventura? Adriano e Renteria dariam condições para marcar golos, em qualquer competição.

O que o Porto necessita, e acredito que não comprou por 10 milhões, é um fazedor de golos mortífero, capaz de converter 70/80 por cento das oportunidades que disporá. Pagar por pagar, mais valia abrir os cordões à bolsa e contratar finalmente um clone de Jardel. Apesar de tudo, espero sinceramente arrepender-me do que escrevi acima. Seria bom sinal. De êxito. E de golos. Do Hulk.

ps: O Guimarães já começou a sentir os efeitos de, cobardemente, ter procurado conquistar na secretaria o direito de participar na Champions, com entrada directa, algo que lhe foi vedado desportivamente. Habituados ao empréstimo dos bons valores provenientes do Dragão, viram Alan, desejado por Manuel Cajuda, rumar ao Minho, mas para outras paragens. E isso também me provocou alguns pruridos. Se concordo inteiramente com o corte de relações com a escumalha da cidade Berço, esta aliança recente com o Braga de António Salvador deixa-me, no mínimo, com o estômago tolhido. Que raio, o homem é unha e carne com o Orelhas, dificulta sempre ao máximo as negociações por qualquer jogador arsenalista em que estejamos interessados, enquanto os vende ao desbarato para o Sul, e agora cedemos-lhe jogadores? A custo zero?

Acho que vou a banhos, nos próximos dias, para evitar dissertar mais sobre isto. Mas sinceramente, ando algo desiludido. A sério que ando.

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